Sunday, April 15, 2007

Ponto pacífico

Correto seria
fazer a poesia
ser meu dia-a-dia.


Bah, é incrível como o fato de trocar duas ou três palavras pode desencadear uma revolução interna. E é incrivel como o não trocar idéias também o faça. Repensar atitudes, reciclar idéias, adotar costumes. Tudo faz parte de ser eu. Mudar todo o dia, ajustar-me a quem está do lado, e virar um mil-faces.
E esquecer aos poucos quem eu sou de verdade.
Ai, a crise existencial.

Tomara esteja eu vivendo mais que um bom momento, é o que rogo.

Saturday, April 14, 2007

Payada da Figueira-Grande

Marco eterno do campo sulino
do Rio Grande, estandarte genuíno.
Tu, que um dia foste organense,
não tens culpa que hoje há quem pense
que teu nome não tem mais valor.

Pouso certo dos dias de calor,
da gaudéria fauna és o parador:
do quero-quero ao bugio-ruivo,
e do graxaim com o seu uivo
és tu, figueira, a moradia.

E quando a manhã se anuncia
no galharedo, a cantoria
da tua orquestra selvagem
acorda, aos poucos, as paragens
deste pampa adormecido.

E eis que o dia recém nascido
é assim bem-recebido
pelos teus filhos, mãe campeira.
E tu, pois, segue altaneira,
sempre pronta a dar parada.

E até mesmo a cuscada
acompanhando a peonada,
a cada vez que tu consolas,
te agradece, e bate cola
em profunda reverência.

Tu que assistes, com paciência
a história fazer-se ciência,
viste muito xirú guapo,
e até deixaste índio farrapo
se valer de tua cortesia.

E nesta cronologia
segues tu, em harmonia.
E continuas a crescer
sem jamais esquecer
que nossos destinos são certos.

Pois o teu é esticar teus galhos cobertos
até morrer de braços abertos,
como fez o Cristo na cruz;
e não mais sorver a luz
do Sol-rei que te ilumina.

Pois que seja minha sina
quando ver que minha vida se termina,
recomeçar com um só lema:
ser como tu, ecossistema.

Ser como tu, figueira-grande.



Bah, que quase não coloco esse. Mas esse blog tá tão meloso que chega até sentar abelha na tela do computador!
Bueno, primeiro poema que eu posto e que não fala (ou insinua) em mulher!
(Até onde eu lembre.)

Pero, não adianta, que poesia bonita mesmo, só quando pra uma moça.
Mas eu vou tentar deixar elas guardadas e escrever algo diferente.
Vai que se desenterra um payador!

Tá, piá, não te emociona.

Friday, April 13, 2007

Um beijo e um queijo

Começou como se não fosse pra começar.
Me disse "pára" quem no fundo não queria parar.
E quem parou, bem naquele momento,
foi o tempo, pro nosso contento.

E o que era um, no fim virou dois,
e na verdade, perdi as contas, depois.
Que contar, também não faz parte.
Não conta pra ninguém, aquele que faz a arte.

Pois "arte" é a única palavra que explica,
mesmo de todos, o mais encabulado.
E até aquele beijo inacabado
é tão bom que até o gosto na boca fica.

E se antes soubesse, eu diria,
e aproveitaria melhor a hora.
Desconheci antes, mas reconheço agora:
beijei feliz o feliz beijo do dia.


Ou dia do beijo feliz.
Ou feliz dia do beijo.


:D

Thursday, April 12, 2007

A perfeição de uma proparoxítona

O teu nome não tem rima.
Por isso eu já nem tento mais.
Não existe no universo,
alguém que faça um verso,
com teu nome, para ti.
Foi tentando, que admiti.
Foi tentando, que desisti.

Tentei rimar-te com flores,
com auroras, com perfumes e cores,
com todos os clichês
- de todos os amores -
mas tudo teu nome subestima.

Não há nas flores a beleza
para rimar com tua graça;
E não há nada na natureza
que porventura um dia o faça.
Não há verbo que exprima
a tamanha obra-prima
que é teu nome.
E por isso, teu nome não tem rima.



O que é perfeito não se iguala.

* Uma coluna grega rima? *
Sim, e não.
* E uma bela japonesa? *
Esquece.
* E um sólido de revolução? *
(Faro-fá-fá!)
Perdoai-os, que eles não sabem o que dizem, haha!

Aliás, Flávio também não tem rima.
Poderiam duas palavras sem rima entre si então rimar?

O Português me prega peças.

Thursday, April 05, 2007

Quem quis quereu? Ainda quer...

Já quis ser ave,
planar suave,
ir mundo afora desbravar.

Quis ser austero,
e hoje quero,
mais do que tudo, aproveitar.

Já quis ser vento,
rápido ou lento,
varrer a terra com meu soprar.

Quis liberdade,
não ter saudade,
ir para longe e não voltar.

Quis ser adulto
e não mais exulto.
Quisera eu à infância voltar.

E hoje, penso,
depois de meu querer pretenso;
e não entendo o que aconteceu.
Com tantos sonhos de grandiosidade,
o que eu quero, de verdade,
é ser somente *


Esqueci a rima!!!


Indo pra Santa Rosa hoje de noite! Ah, saudades do interior! To precisando fugir da cidade e ficar um tempo longe, botar ordem na cabeça, que o desleixo tá tomando conta. Além de que, churrasco e cerveja na beira do lago têm valor medicinal!
E vamo que vamo, que vai tá todo mundo lá!
Gastar um pouco dessa minha pilha, que senão vou estourar! E já ir me aquecendo pro EREB!

EREBEEEEE!!!!!!

Vontade de gritar é contagioso. Alegria também, eu acho.
Que eu to definitivamente infectado.

E Feliz Páscoa pra todo mundo, que a minha vai tá do caráleo!!!!
E vai aguardando a minha volta, hohoho!!!!

Que medo.

Sunday, April 01, 2007

Gosto é gosto, rosto é rosto.

Eu gosto disso,
de como tu me deixas inseguro,
e desse frio na minha barriga,
a cada vez que te procuro.
E como perco as palavras
quando quero falar contigo,
e até do meu silêncio tímido
a cada vez que não consigo.
E de como minhas pernas tremem
quando te tenho nos meus braços.
E da maneira como meu peito explode
a cada vez que o faço.
E da recompensa dourada
sempre que te roubo um beijo.
E da alegria inesperada
que brota em mim quando te vejo.

É bobagam não falar.
Acho que gosto mesmo de ti.


Ia enfeitar bem esse, e rebuscar a linguagem, fazer métrica e uma rima mais rica. Mas é o poema cru que expressa melhor o poeta. Por isso fica assim.
Aliás, escrevi esses versos em menos de cinco minutos. Verdadeira enxurrada mental. Ou seria emotiva?
Não importa, o que vale é o resultado.
Termino por aqui que eu acabo de queimar o meu carreteiro.

A propósito: apesar de tudo, festinha quase inesquecível!!!

Thursday, March 29, 2007

Tão e somente.

Ela me olha diferente,
e é só ela que me olha assim.
E ela me deixa contente.
É como se meu peito crescesse,
e um balão se enchesse
aqui dentro de mim.
Não é de sempre, não é de agora,
nem sei quando descobri.
Mas como é bom, a cada hora
em que a vejo, e ela sorri.

É assim, pura e simplesmente;
talvez seja a minha mente
- ou uma mera ilusão crescente -
Mas é bom como um presente,
o jeito como ela me olha.


Aquele jeito diferente.


Cristo, que cidade quente! Bah, dá pra andar pelado na rua, mas mesmo assim, com esse calor não há quem agüente!
Bueno, nada de profundo pra dizer, to cheio de trabalho na cabeça, e aquela aula de Ecopop hoje me fez um estrago na mente.