Monday, April 17, 2006

Despertador

Careço de um despertador.
Sem ponteiros, sem engrenagens, não.
Um despertador
que me acorde dessa indecisão,
dessa insegurança.
Desse medo de falar
"Eu te amo"
E que me impede de arriscar ver o teu sorriso
- e como eu preciso -
falar-te, um sussurro apenas,
uma fagulha da chama que arde em meu peito.

Se por acaso o leitor
possuir, ou conhecer tal artefato
- tal despertador -
me vende
ou me empresta
por favor.


Voltei. Tentando colar os cacos do que fui outrora. Pedaço a pedaço. Passo a passo. Lenta mas progressivamente. Assim se escreve um poema.
Assim eu escrevo minha existência.