Monday, May 29, 2006

Uma mera opinião contrária

Dizem ser inebriante,
tal qual a alva flor do jasmim,
o suave perfume que tu deixas
quando passas.
Pode ser para todo mundo, mas não é para mim.


Contam ser incomparável,
como estrelas no céu sem fim,
o intenso brilho de teu olhar
a cintilar.
Pode ser para todo mundo, mas não é para mim.


Falam ser de valor imenso,
tal qual jóias ou marfim,
cada momento em tua presença
assim intensa.
Pode ser para todo mundo, mas não é para mim.


E todos afirmam passageiro,
ou efêmero, assim,
o fascínio que tu pareces exercer,
tão fácil de esquecer.
Pode ser para todo mundo,

Mas, definitivamente,
com a certeza de quem não mente,
não o será para mim.


Esse merecia ser lapidado, eu acho. Ganhar rimas decentes, e uma linguagem rebuscada. Até porque foi repentino. Até porque ficaria bonito. Até porque não veio pronto, como de costume. O sentimento sim, a palavra não. Mais além, talvez eu retrabalhe sesses versos pobres e ponha neles algo mais atrativo. Algo digno de sua dona. Mesmo que digam ser impossível dar forma e rima ao coração.

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Pode ser para todo mundo.

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Thursday, May 25, 2006

Incógnita

Se não for incômodo, menina
me diz
por que maltratas esse coração
antes feliz,
antes construção,
e hoje, nada mais que ruína.

Se não for ousadia, menina
me explica
por que sempre que te esqueço, tua imagem aparece,
e fica.
E acontece.
Cada dia amargando mais essa minha sina.

E, se não for pedir demais, menina
só some
e não volta mais
nem tu, nem teu nome.
Que, se a distância dói demais,
ao menos a dor algo me ensina.


É como andar de bicicleta. Voltou tão de repente como tinha ido embora. A tão doce e terna inspiração.
É o terceiro que escrevo hoje, e o mais intrigante, sem dúvida. Porque, pela primeira vez, não faço idéia do que significam essas palavras. Sem entrelinhas, sem insinuações. Simplesmente não sei.
Mas tá aí. Quem sabe alguém me diz o que quer dizer, ou, pior de tudo, pra quem quero dizer...
Minha mente me assusta.

Sunday, May 21, 2006

Insônia

Mais uma noite me abraça,
e eu em ti penso, antes de os olhos cerrar.
Mais um soluço se antecipa,
e eu o retenho, pra que não me ouçam chorar.
Mais um sentimento eu sufoco,
mas por ti peço, pois sufocar não é matar.
E mais uma vez eu desisto,
e derrotado, deixo a lágrima livre rolar.

Seria pedir muito, querer muito,
dormir tranqüilo, ao que fosse me deitar?
Ou seria assim tão impossível,
já que te quero, ao menos feliz, contigo sonhar?
Bem sei que não temos respostas
quando não nos atrevemos a perguntar.
O fato é que, cansado, apenas torço
para ver teu sorriso amanhã, se porventura te encontrar.


Enferrujado, mesmo que levemente inspirado. Esse iria pra caixa, certamente, mas fazia tanto tempo que ninguém me despertava a poesia, que eu resolvi deixar, assim mesmo. Assim bruto. Assim sincero.
Pena que o contato pouco não deixa essa inspiração (quiçá esse sentimento?) crescer.
Não dá nada. Enquanto isso, me atenho aos pequenos vislumbres. Que, mesmo que poucos, são indescritivelmente revigorantes.
É isso.
Vou pra cama.
Talvez hoje eu sonhe.