Tuesday, August 15, 2006

Sem título, sem porquê... e com motivo.

Por que falho inutilmente
em expressar, com frases e versos
a sensação que nasce em mim
a cada vez que te vejo?

Parece até que, fatalmente,
como se num mar de letargia imersos,
lápis e papel permanecessem assim,
e de escrever, ficasse o ansejo.

Só há uma lógica para compreender,
o fato de não conseguir te dizer
nem que seja num versinho,
o que com todas as forças tento.

Já passa a hora de entender
que é triste demais prender,
tal qual fosse um passarinho,
em letras e palavras meu sentimento.


Queria escrever hoje. A musa não me sussurrou nada. Coloquei esse, mesmo.
Esses versos me são tristes, porque os escrevi de peito aberto - tarde demais. Aliás, tudo eu faço tarde demais. Ou quase tudo. Enfim, me lembrei destes, e tirei eles da caixa. Acho que nunca tinha feito isso, mas tem uma primeira vez pra tudo, e eu ando fazendo várias coisas pela primeira vez. Como resgatar poemas da caixa de rejeitos. Como declamá-los para alguém. Como escrever e entregar, ao invés de guardar, ou publicar nessa tela preta.
Enfim, sou um organismo em mutação. Inovar é preciso.
A propósito, isso não vai virar rotina. Foi só por falta de inspiração.

Thursday, August 03, 2006

Verdes com castanho

Como podes, assim tão pequena,
assim tão doce, tão serena,
me causar tamanho sofrimento?

E me ensinar, com um mero olhar,
a te querer, a te gostar,
mas não a esquecer tal sentimento?

Quisera eu poder gritar, e com as mãos arrancar
essa flor que brota no meu peito.

Pois mais difícil do que amar, é querer se apaixonar
e não saber fazer direito.



Esse é interessante. O primeiro e o terceiro versos surgiram há mais de ano, e nunca consegui encaixar nada mais. Claro, escrever sem conhecer, que petulância. Pois bem. Deveriam servir de aviso, porque agora esses versos possuem um contexto. Em mim, e no poema. Mas acima de tudo, em mim. Escrevi isso no ônibus, indo pro vale. No meio de meus pensamentos, esses versinhos dançaram, e eu resolvi escrever o resto. Nada rebuscado, nada caprichado, mas fiquei contente. Porque é mais ou menos como eu me encontro no momento.
To em construção de novo. Ou melhor, em fase de teste. Fora da concha, bem ou mal. Tive o prazer de provar momentos doces, os mais doces da minha vida, e o revés de viver dias amargos. Mas concluí: é besteira se esconder. Hora de colocar a cara a tapa, definitivamente. E não aceitar, quando não me convém. E brigar pelas pessoas a quem eu quero. E rir, e chorar. E parar de escrever isso, porque to me sentindo um idiota, me confessando para um notebook.

Deixo de nota, que nesse meio tempo longe, escrevi como um alucinado. Alguns dos melhores que já fiz. E vou ser egoísta, e guardar todos para mim. Esses tem um valor especial.